Recife em Foco


 

ECIFE,

VENEZA, PELAS PONTES, RIOS E CANAIS;

ATENAS PELAS IDÉIAS QUE SEMPRE REVOLVERAM

A CABEÇA DE SUA GENTE;

ROMA, PELA ALMA GUERREIRA E IRREDENTA:

RECIFE DAS REVOLUÇÕES LIBERTÁRIAS.

 Humberto Vasconcelos

  “A cidade foi construída, metade roubada ao mar, metade à imaginação, pois é do sonho dos homens que uma cidade se inventa!”

Recife foi inventada, na visão poética de Carlos Penna Filho, um dos cantores mais lúcidos e inspirados da cidade. Isto quer dizer que se inventa todos os dias. Porque invenção não é como descoberta, com hora certa para acontecer. Muito menos é construção. Invenção é um improviso que se promove todos os dias e em todas as horas. Assim, a cidade é mágica. Mostra-se diferente a uns e outros. E mesmo aos da terra, ela é diferente a cada dia, embora tenha seus roteiros, que são refeitos cada vez que saímos de nossas casas em busca da cidade.

Recife é porto e porta. Mas não se mostra por inteiro a forasteiros desatentos. Segundo um de seus poetas, a cidade tem o recato de moça velha. Ela se deixa descobrir devagar, na medida de uma confiança cúmplice, que se vai criando entre cidade e visitante. Por isso, muitos passam por aqui e não a vêem. Muito menos a sentem. Menos ainda a conhecem.

Que guarda o Recife? Guarda segredos de ser Recife, singularíssima cidade. Guarda o segredo dos pensamentos libertários, que se revelam em guerras, ou se mantêm silentes até a hora em que se fazem guerras.

Em 1710, vale dizer, no início do Século XVIII, a cidade irmã, Olinda, já ensaiava os primeiros brados de libertação do poder assoberbante de Lisboa: era o primeiro Grito de República, dado por Bernardo Vieira de Melo, no velho Senado de Olinda. E assim tem sido sua história. Em 1821, um ano antes de o Brasil tornar-se independente, manda para casa, de volta, as autoridades portuguesas que aqui representavam a Coroa. Recife independente antes do Brasil. E em 1824, os confederados do Equador lançam as bases de sua república, irritando D. Pedro I e levando o monarca a punir o Estado, retirando-lhe a Província do São Francisco, que, neste caso, ficou anexada ao Estado da Bahia. O castigo não diminuiu o ímpeto da província. Do varandão da casa grande de Massangana, Joaquim Nabuco, fiel à monarquia, investiu contra a escravidão e emocionou o Brasil, contribuindo decisivamente para que a tribuna abolicionista tivesse no Recife seu ponto de maior fulgor.

Com relação ao Espiritismo, o Recife é contemporâneo de Kardec. Também pudera. Em primeiro lugar, uma idéia nova. É tudo quanto o Recife valoriza. O recifense ama o debate, a refrega. Foi aqui, na velha Faculdade de Direito do Recife, também pioneira no Brasil, que, pela primeira vez no país, ouviu-se uma voz discordante das idéias da Coroa. Tobias Barreto, junto com Castro Alves, vindos de fora, recifensizaram-se e partiram para a criação de um movimento literário e científico que ficou conhecido como a Escola do Recife, um movimento de idéias. Em segundo lugar, uma idéia libertária, o Espiritismo é um canto de liberdade da alma, antes oprimida pela perspectiva de um céu beatífico ou de um inferno marcado pela ferocidade da injustiça.

Lá pelos anos 60 do século passado, o Diário de Pernambuco se incorporava à história das idéias espíritas. Ubiratan Machado, em seu Os Intelectuais e o Espiritismo, registra: “Graças à divulgação pela imprensa, as mesas começaram a dançar em todo o país. No Diário de Pernambuco, uma correspondência de Paris ensinava como se devia proceder. Dois dias depois, o mesmo jornal publicava um artigo do Dr. Sabino Olegário Ludgero Pinho sobre magnetismo com vários objetos, narrando os resultados satisfatórios obtidos com um prato, um chapéu e uma mesa de três pés. Desta sessão, participaram as pessoas mais em evidência da sociedade pernambucana, sobressaindo-se o irrequieto general José Inácio de Abreu e Lima. Um ponto interessante do artigo do Dr. Sabino Pinho é aquele em que, reforçando o clima de mistério e magia que havia em torno da homeopatia, ele relacionava-a com a força magnética”.

Deste ponto inicial, pioneiro, as idéias espíritas só fizeram crescer em nossa terra, enfrentando, para tanto, a irritação clerical e a ação tendenciosa da polícia, que procurava reprimir o Espiritismo, tratando-o como mera diversão pública e sujeitando as casas espíritas ao vexame de serem disciplinadas pelas mesmas regras que orientavam o funcionamento dos bares ou lupanares. Os espíritas, movidos pelo ideal cristão verdadeiro, foram capazes de superar tudo isso. Alguns nomes notáveis contribuíram para a construção desse ideal na terra pernambucana. Djalma Montenegro de Farias, que dá nome a esta instituição (conferir home page), inscreve-se entre eles.

Hoje, o movimento espírita está consolidado no Recife e no Estado. Mesmo que, para tanto, tenha sido necessária, até aqui, a força de uma cisão que nos incomoda a todos. Mas é preciso compreender. O caldeirão de idéias do Recife parece ser contrário às unanimidades. A divisão incentiva o debate. O debate promove a luz. A luz é a esperança do porvir.

O Grupo Espírita Djalma Farias aposta no porvir. Tanto que se antecipa nesta página, com a qual pretende comunicar-se com o mundo espírita, conquistando o mundo silente e operoso da comunicação cibernética.

Seja bem-vindo. Venha conhecer o Movimento Espírita de Pernambuco. Conheça o Espiritismo.

Saudações recifenses.

 

 (Humberto Costa Vasconcelos, Professor Universitário, Ex-Diretor Geral do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, Ex-Diretor de Programas Sociais do Tribunal Regional Federal, Fundador e Ex-Presidente do Grupo Espírita Djalma Farias e da Fraternidade Espírita Francisco Peixoto Lins - Peixotinho)

 

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Bairros de Stº Antônio e Recife Antigo

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