NASCIMENTO DE JESUS

            

cristandade comemora neste mês de dezembro o nascimento de Jesus de Nazaré.

 Todos nós rendemos, neste último mês do ano, a nossa sincera e justa homenagem a esse grande e iluminado Espírito, que tem sido no mundo o caminho reto que nos vai conduzindo a Deus.

É uma homenagem muito grata e espontânea prestada ao maior vulto da história da civilização humana, é um tributo de gratidão que lhe rendemos pelo muito que esse divino mestre e querido senhor nosso vem proporcionando aos nossos espíritos desde o dia feliz em que entramos em contato com os seus sagrados evangelhos, que nos têm enchido o coração de esperança, a alma de fé e de luz o espírito.

 Dezembro é o mês das Boas-Festas, o mês das saudações fraternais, de aproximação dos homens pelo sentimento e pela razão, porque é o mês em que nasceu Jesus, em que o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós, em que o Céu desceu à Terra para ensinar a Terra a elevar-se ao Céu.

 Natal de Jesus! Nascimento glorioso do super-homem num estábulo abandonado de Belém de Judá; nascimento do maior homem num lugar mais humilde do mundo.

 O seu berço foi uma manjedoura.

 Começou logo Jesus ensinando ao nascer: não é o lugar que honra o homem, é o homem que deve honrar o lugar. A estrebaria abandonada de Belém tornou-se célebre, muito mais do que os palácios de Herodes e de César. 

Apenas, porque ali nascera Jesus, uma criança humilde e divina que era a incorporação de um Espírito puro. 

Mas, quem era Jesus? Que veio trazer aos homens? Que novidades singulares e estranhas encerra a sua Doutrina? Qual o centro de gravidade dos seus divinos ensinamentos? Que valoroso Espírito era esse que tanto abalou e impressionou o mundo, cujo aparecimento marca o início de uma nova era na história do mundo, a era cristã? 

Jesus não era estranho à Terra. Ele viera para o que era seu e os seus não o conheceram.

 A história de Jesus na Terra como super-homem, começa de fato em Belém, onde nasceu, porém, como Espírito perde-se na noite de um passado bem remoto, porque o que sabemos, graças a revelação espírita, é que Ele, como o Verbo de Deus neste mundo, vem governando e dirigindo a Terra, que construiu e fundou, desde o momento em que ela se destacou e se libertou da nebulosa central e iniciou a sua vida sideral com a autonomia e a liberdade relativa de um planeta.

 Desde esse momento, Jesus, o Cristo de Deus, comandava os destinos da Terra. 

Deus lhe afetou essa honrosa e pesada missão de que Ele vai se desincumbindo admiravelmente bem.

 Veio trazer aos homens a noção mais elevada de um Deus que ama e salva todos os seus filho; veio trazer aos homens o mais puro ensino de moral, a lição da fraternidade e de amor.

 A sua doutrina encerra um tesouro de sabedoria e de verdade, de valor tão inestimável que se tornou única e, por isso mesmo, insuperável. 

O ponto de gravidade dos seus maravilhosos ensinamentos é o amor, o amor do espírito, o amor-caridade, dedicação, desprendimento, renúncia. Segundo a doutrina divina, o amor, resume-se no amor a Deus, acima de tudo e de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. 

Ele sintetizou os dez mandamentos em um único: O do amor. E o fez com incomparável felicidade, porque esses dez mandamentos estão saturados de amor.

 A Doutrina do Cristo deveria chamar-se com mais propriedade a Doutrina do Amor. 

Jesus Cristo vem supervisionando a missão gloriosa desses grandes instrutores da humanidade, desses reveladores divinos que têm trazido aos homens o conhecimento das leis morais de Deus, os ensinos que podemos receber na medida das nossas etapas evolutivas.

 E o que prova essa supervisão do Cristo nas mensagens reveladoras dos missionários é o plano providencial de trabalho espiritual que está traçado no alto e vai se executando no plano material humano, com admirável sabedoria.

 Com efeito, a unidade de doutrinas que a humanidade tem recebido desses divinos instrutores, revela a unidade de direção, um único foco de irradiação de toda luz que tem iluminado a Terra, uma fonte única de onde jorra para a Terra incessantemente a água viva da verdade, do bem e do amor.

 Esse foco, essa fonte e essa unicidade estão personificados na figura ímpar do Cristo, que assiste, com amor e desvelo, a obra da perfectibilidade, que vão realizando entre nós os seus estremecidos fiéis prepostos, os nossos maiores, encarnados e desencarnados.

 É esse grande Espírito, iluminado e puro, que neste mês festivo de Dezembro, homenageamos, comemorando o seu nascimento em Belém de Judá, em condições humildes e divinas, na última incorporação que sofreu neste mundo até os nossos dias.

 E todos os chamados cristãos prestam-lhe homenagem sincera e justa, cada um ao seu modo e de acordo com a sua mentalidade. 

Pensamos, pois, na nossa ignorância que a melhor maneira de rendermos o tributo da nossa adoração e da nossa homenagem ao Cristo e Senhor nosso, é praticar, é exemplificar e viver os Evangelhos de luz e de verdade que Ele amorosamente nos legou, como a sua divina e eterna herança.

 Espíritas! Cristãos novos! Novos discípulos de Jesus! Comemoramos espiritualmente o nascimento desse super-homem, o aparecimento desse iluminado Espírito no cenário inquieto e atribulado deste mundo, para trazer aos homens a Doutrina do Amor, da paz, da solidariedade, da compreensão e da fraternidade, para erigirmos com a prática desses ensinos um mundo melhor onde todos se entendam, se aproximem e se amem, a fim de transformarmos a Terra num paraíso. 

Mas, para que a Terra deixe de ser um inferno para transformar-se num paraíso é necessário que os homens deixem de ser demônios e se tornem anjos.

 E somente a doutrina pura de Jesus pode operar esse milagre m cada um de nós, somente as suas lições divinas nos colocarão no rumo seguro que devemos palmilhar para encontrar na Terra a solução do problema complexo da felicidade. Somente Jesus nos tornará felizes. Sem Ele não teremos paz, luz, verdade e amor. Com Ele convocaremos todas as reservas do nosso espírito para atingir a perfeição. Com Jesus tudo teremos, sem Ele nada seremos. Quem o conhecer um dia, através das páginas diamantinas dos seus Santos Evangelhos, nunca mais poderá viver sem Ele, que é o caminho, a verdade e a vida para Deus.

Glória a Jesus, o Cristo de Deus e nosso Divino Salvador!

Boas-festas a todas as criaturas humanas.

  Djalma Montenegro de Farias  

(Dezembro de 1947)


Extraído do Livro Obras Completas de Djalma Farias, Vol. I